Descrição
A imprensa já centralizou mais poder do que atualmente. O rádio, o cinema, a televisão, a internet, os meios orais, as imagens e as mensagens escritas ultrarrápidas tiraram-lhe a sua importância como “quarto poder do Estado”. A palavra impressa não possui a repercussão imediata da oralidade e da comunicação veloz. Contudo, ela tem o poder de permanência, e um poder de convicção mais profundo do que as palavras que as ondas levam no mesmo instante em que são pronunciadas ou as imagens escritas transmitidas sem demora.
Será que o jornalismo é um gênero literário? André Gide (1869-1951), escritor francês, humanista e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura (1947), um dos fundadores da revista Nouvelle Revue Française, respondeu que não. Para ele, jornalismo é “o que amanhã interessará menos que hoje” (Journal, 1948).
Por sua vez, Antônio Olinto (1919-2009), renomado escritor, ensaísta e tradutor brasileiro, membro da Academia Brasileira de Letras, contestou André Gide e definiu o jornalismo como “penetração no dia a dia, em busca do que possa ter de significado, de permanente” (Jornalismo e Literatura, 1954)
Em paralelo, o lendário Barbosa Lima Sobrinho (1897-2000) advogado, jornalista, escritor, historiador e político brasileiro, presidente da Associação Brasileira de Imprensa, membro da Academia Brasileira de Letras, considerou temerária a inclusão do jornalismo como gênero literário, “apesar de suas altas afinidades com a literatura” (aula inaugural do curso de jornalismo na Faculdade Nacional de Filosofia, antiga Universidade do Brasil (1957), marco da profissionalização do jornalismo no Brasil). O certo é que a função informativa do jornal diminuiu com o advento da oralidade mecâni-ca e da rede de computadores, dispersos por todo o planeta, que trocam dados e mensagens, mas ganha em responsabilidade. O jornal se aproxima das revistas, e as revistas, dos livros. Assim, transformou-se em instrumento de autêntico gênero literário.
Nem a poesia, nem o romance, nem a crítica, nem qualquer das artes de comunicação deixam de ser influenciadas pelo espírito jornalístico. Assim, pode-se avaliar o peso da responsabilidade que recai sobre o jornalismo como arte, como arma e como forma de educação do homem e da opinião pública.
Contos e artigos compõem o conteúdo de Palavras em Movimento. O conto é uma narrativa curta, ficcional, focada em um único conflito e clímax, enquanto o artigo é um texto argumentativo, objetivo, que expõe opinião ou informa sobre um tema, com uma estrutura mais formal, buscando persuadir o leitor através de argumentos e dados. Mas ambos seguem regras de estética, acadêmicas e bibliográficas. Por isso, estão juntos aqui: Palavras em Movimento.



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