Descrição
Oficina de tragédias é um livro que constrói uma cartografia da sombra no espaço urbano e interior do sujeito. Ao longo de textos fragmentários, variações e recorrências temáticas, a obra investiga a vigília como estado existencial: estar desperto diante da morte, do esgotamento da linguagem, da memória em ruínas e da vida atravessada pelo medo, pela perda e pela espera. A cidade — feita de postes, janelas, muros, névoas e corredores — surge como cenário e metáfora de uma consciência sitiada, onde o tempo se dissolve entre noites extensas e dias sem promessa.
Os poemas operam como cenas, ensaios e rituais, misturando lirismo, imagética fúnebre e reflexão metapoética. Vida e morte, corpo e palavra, natureza e concreto, silêncio e ruído entram em tensão contínua, compondo uma estética da falha, do resto e do espectro. A tragédia, aqui, não é grandiosa, mas cotidiana e íntima — um aprendizado do escuro.
Mais do que narrar, o livro convoca o leitor a atravessar uma experiência de escuta e desamparo, onde o poema resiste como última luz possível em meio ao colapso do sentido.


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