Descrição
O livro é uma recolha de fatos e “causos” nos quais fi ca indistinto o aproveitamento de anedotas populares, ou o tratamento de anedota aos acontecimentos, provocando um enovelamento do factual com o ficcional. Pode-se dizer que a arrumação em fragmentos (as pequenas histórias) funciona como curadoria das séries familiar, formação escolar, círculo de amizades, viagens, curtos exílios políticos e histórias picantes (que sempre podem ameaçar ilibadas reputações). Sempre com respiros entre umas e outras, para atiçar a vontade de saber mais, ou para submetê-las à prova de verdade. O humor é qualidade essencial e irrefutável deste livro cujo tratamento estilístico da ironia ao desregramento sarcástico provoca sorrisos e gargalhadas. O leitor ri. Se rir é o melhor remédio, Dr. Pedro sabe ministrá-lo em doses alopáticas, pequenas histórias que curam a melancolia e necrofi lia desses tempos. É consabido que a memória é a força poderosa que garante a plasticidade neuronial. A memória, como força de trabalho, constitui tesouro de que falava Santo Agostinho no capítulo X que versava sobre “vastos palácios da memória”, ao permitir no percurso autobiográfi co do convertido em santo o encontro consigo mesmo, com o tempo, com lugares, e, afi nal, com o próprio corpo como desejo. Neste caso, a memória diferencia-se do hábito que permite que o corpo repita automaticamente movimentos. No caso da memória voluntária, provocada pelo trabalho da reconstituição, o tempo recuperado é o tempo da arte, episódios retidos pela sensibilidade. No livro novo do Dr. Pedro, o leitor deve aceitar o convite para experimentar o prazer da leitura saborosa como um dedo de prosa.


Não existe nenhuma avaliação ainda.