Descrição
Neste novo livro de Oswaldo Martins, a língua se dirige para o silêncio, mas seu destino é o excesso do grito. Aqui, o desconforto é o ritmo mais forte e atua como uma torrente que se encarrega de nos reposicionar no nosso cansaço.
Abrindo-se num descantar incessante numa “língua prenhe de abismos”, este volume todo é um desafogar que pede, antes de mais nada, uma leitura em voz alta. Modelando-se, assim, um suposto delírio, entra pelos ouvidos a voz de uma desrazão que não parece nada louca, no final.
Com mínima pontuação, sem métrica fixa, com versos em minúsculas e sem rimas, ilhas-de-não instala em compostos hifenados e em intervalos por travessões ímãs onde se pode respirar – fundo. Mas esses são alentos curtos em oásis. Este livro quer tudo, menos nos distrair e nos fazer descansar.
Dando continuidade à sua trajetória de escritor, em que é classificado, entre outras definições, como poeta erótico, Oswaldo conduz sua reação perturbadora a critérios de existência e de beleza simplificados e tradicionais estendendo-a agora contra os “deuses canalhas” e não contra um único responsável.
Nessa estratégia, sente-se um gosto nítido pelo bater sonoro, vê-se um trabalho de reverberação interna em que as seções do livro se contorcem juntas num formato de marota e provocadora desrealização.
Há conversas de vermes por toda parte e, por entre as fendas, orfeu e eurídices se insinuam mortos. Há boas confusões literárias. Há “ismael desterrado do oceano no arará” e a secura do mar que reaparece viva em alguns momentos, como é caso do poema “shoji”, extraordinário.
Há vermes por toda parte. Vicente Celestino e Machado de Assis e Langston Hughes e Pedro Kilkerry estão aqui para não nos deixar esquecer.
Quem acompanha a produção de Oswaldo, que tem mais de dez livros de poesia publicados, encontra nesta “ilha em negativo”, nessa “ilha da negação” que ele agora retoca, notícias de devastações que não são novidade. Mas é por elas que o pó das nossas bibliotecas corroídas desencanta as odes em forma de “o”s. O de ode, oh de dor, O de vazio, o de odor. Há, sim, vermes por toda parte. Isso pode nos fazer gritar. Mas cada um destes poemas vai exigir muito mais de nós, diante dessas páginas arruinadas de história.
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