Cultura digital e antropoceno
Descrição
O livro argumenta, com base em dados e referências acadêmicas, que a cultura digital é uma extensão do projeto modernizante, com uma infraestrutura pesada e poluente. Detalha o consumo colossal de energia e água dos data centers, a pegada de carbono de uma simples busca no Google ou de uma interação com a IA e o aumento da produção de lixo eletrônico. Ao vincular a extração de minerais à violência e ao neocolonialismo, a obra torna visível o custo humano e ambiental de tecnologias que parecem limpas e leves, denunciando a lógica extrativista do capitalismo de dados.
Adicionalmente, este trabalho se destaca pela integridade teórica e pela interdisciplinaridade. André Lemos articula conceitos complexos, como a “agência distribuída” de Latour, a “intra-ação” de Barad, o “neomaterialismo” e as “cosmologias indígenas”, para construir uma crítica robusta e não antropocêntrica.
Ao valorizar a ética da dependência, a obra oferece um caminho conceitual e político para superar a crise, defendendo a necessidade de novas “ficções” e narrativas que engajem a humanidade coletivamente.



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