“Quem me comeu a carne tem de roer-me os ossos!”: Aluísio Azevedo pela crítica contemporânea

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“Quem me comeu a carne tem de roer-me os ossos!” – Aluísio Azevedo pela crítica contemporânea

Todos os autores inspirados pelo naturalismo, tanto no século XIX quanto nas primeiras décadas do século XX, sofreram um intenso processo de simplificação interpretativa – um duplo empobrecimento de suas obras e dos alicerces teóricos que as sustentaram. Com Aluísio Azevedo, não foi diferente.

O autor que, em vida, fora celebrado como um dos principais artífices de uma literatura moderna e socialmente engajada, passou a ser lido, ao longo do tempo, por meio de um filtro redutor que privilegiou a leitura moralista, o rótulo de imitador e a canonização isolada de O cortiço como obra paradigmática. A produção do livro Aluísio Azevedo pela crítica contemporânea nasceu da necessidade de enfrentar esse processo crítico de erosão. Nosso objetivo não era apenas reavaliar a fortuna crítica do autor, mas também compreender o modo como sua recepção exemplifica a trajetória do naturalismo brasileiro: um movimento frequentemente julgado pela ótica do “déficit” – de originalidade, de rigor científico,de decoro, de arte –, mas cuja vitalidade literária e editorial foi decisiva para a formação de um público leitor e para a consolidação do campo literário no país.

O Aluísio Azevedo que emergiu desse encontro é, retomando a imagem da crônica de Olavo Bilac, um “pai de muitos filhos”: múltiplo, heterogêneo, contraditório, dotado de uma variedade de registros e procedimentos que ultrapassam a divisão tradicional entre “romances de tese” e “romances de encomenda”. Sua obra capta, com rara
acuidade, a formação de uma cultura moderna atravessada pela imprensa, pela ciência e pelas novas formas de consumo simbólico – aquilo que, mais tarde, se chamaria de indústria cultural. Longe de se limitar ao determinismo biológico do naturalismo canônico, Aluísio mostra-se capaz de articular o discurso científico com as transformações culturais e intelectuais de seu tempo: o avanço da sociologia e da psicologia, o positivismo médico, a consolidação das ciências políticas e econômicas, o surgimento da comunicação de massa.

Especificação: “Quem me comeu a carne tem de roer-me os ossos!”: Aluísio Azevedo pela crítica contemporânea

Autor

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Formato

BOOK

Editora

ISBN

9786559663903

Ano de Publicacao

2026

Numero de Paginas

458

Idioma

Português

Edição

2

Encadernacao

Brochura

Dimensões

14 x 2 x 21

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