Paula Rego e Adriana Varejão: Entre os vossos dentes –
Paula Rego e Adriana Varejão: Entre os vossos dentes, publicação realizada a partir da exposição de mesmo nome, apresenta uma seleção de obras que articula os pontos de convergência entre o trabalho e o pensamento destas duas artistas.
Nas representações de corpos, literais e metafóricos, Paula Rego e Adriana Varejão refletem sobre a forma como estruturas de opressão, o patriarcado, o colonialismo e outras formas de controle da mulher e do corpo se entrelaçam, dilacerando pessoas e suas histórias.
Dividido em capítulos, assim como a exposição, este livro reúne pinturas, gravuras e esculturas organizadas em núcleos de obras denominados “Fui terra, fui ventre, fui vela rasgada”, “Memórias de açúcar e sal”, “Comemos, dançamos, matamos e misturamos”, “Câmara de ecos”, “Rituais de limpeza”, “Extirpações”, “Faca amolada”, “Dentro do quarto, fora de mim”, “Corpo em transe”, “Reconfigurando o sagrado”, “Apesar de você”, “Criaturas extraordinárias”, “Mar, onde sou a mim mesma devolvida em sal, espuma e concha”.
A publicação traz, ainda, o registro de uma conversa realizada entre as duas artistas sobre seus trabalhos, além de uma segunda conversa, desta vez entre Varejão e os curadores da exposição. Com prefácios de Guilherme D’Oliveira Martins e Benjamin Weil, essa edição traz, ainda, ensaios assinados pelo curador, pesquisador e escritor Raphael Fonseca e pela curadora e especialista em arte moderna e contemporânea Elena Crippa, assim como um excerto do poema Poemas aos homens do nosso tempo, da poeta e romancista Hilda Hilst, que inspirou o nome da exposição.
A exposição Paula Rego e Adriana Varejão: Entre os vossos dentes foi realizada no Centro de Arte Moderna Gulbenkian (CAM, Lisboa – Portugal), em 2025, com curadoria de Adriana Varejão, Helena de Freitas e Victor Gorgulho. A primeira exposição de Adriana Varejão e Paula Rêgo juntas se deu no Rio de Janeiro, na Carpintaria, em 2017, ainda em vida de Paula Rego.
Trechos
“Como diz Helena de Freitas: “É muito interessante ver como se criam nestas salas espaços de contaminação. Não são sistemas fechados, mas espaços abertos interligados que se abrem para a releitura das obras das duas artistas.” E assim podemos desfrutar de um sentido de liberdade que resulta de um diálogo intenso e naturalmente coerente. Com a distância do Atlântico de permeio, a distinção”
“Com as obras das duas artistas, somos levados a sentir o drama de muitas situações que colocam os seres humanos em situações-limite que nos obrigam à tomada de consciência sobre quem somos, através da partilha de experiências e sentimentos. E assim a força crítica pressupõe um sinal de esperançosa vontade de mudança.”
Sobre as artistas
Paula Rego (1935, Lisboa, Portugal – 2022, Londres, Reino Unido) foi uma das artistas da arte figurativa contemporânea mais influentes do mundo. As suas pinturas foram alimentadas pelas mais diversas fontes, incluindo a literatura, a política, o feminismo, os contos populares, os mitos e os contos de fadas, expondo facetas ocultas das suas narrativas. Paula Rego explorou as relações humanas, lançando um olhar crítico sobre a ordem estabelecida e os códigos, estruturas e dinâmicas de poder que consolidam ou reprimem as personagens que retratava. A artista foi pioneira na abordagem de temas relacionados com as questões de gênero. Entre as obras mais significativas sobre esse tema estão a série Mulheres-Cão, iniciada em 1994, e a série Sem título, dedicada ao aborto (1998–99), que influenciou o segundo referendo sobre a legalização do aborto em Portugal, em 2007.
Adriana Varejão (1964, Rio de Janeiro, Brasil) é uma das mais importantes artistas brasileiras da atualidade, reconhecida internacionalmente pela sua linguagem visual inconfundível, marcada por elementos barrocos que se caracterizam pela paródia, paradoxo, tensão e excesso. Frequentemente, as suas obras dissolvem fronteiras entre registos artísticos: pinturas com elaborados relevos escultóricos que irrompem da tela ou esculturas pintadas de forma teatral, ao mesmo tempo que abordam temas que desafiam premissas amplamente aceitas sobre arte e cultura. Desde a década de 1990, o seu trabalho tem suscitado debates críticos sobre narrativas decoloniais, explorando a violência, o erotismo e o pluralismo da história do Brasil e as suas interligações com o resto do mundo.
Sobre os autores e organizadores
Helena de Freitas
Helena de Freitas (Lisboa, Portugal, 1958) é historiadora de arte, crítica de arte e curadora. Colabora com o Centro Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian (CAM), em Lisboa, desde o final dos anos de 1980. Essa colaboração foi interrompida entre 2010-2013, período em que assumiu a direção da Casa das Histórias – Museu Paula Rego, em Cascais, Portugal. Atualmente colabora nas atividades da Delegação da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris, França.
Victor Gorgulho
Victor Gorgulho (1991, Rio de Janeiro) é curador e pesquisador. É licenciado em Jornalismo pela ECO-UFRJ e mestrando em Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Foi curador de exposições coletivas e individuais como Vivemos na melhor cidade da América do Sul, com Bernardo José de Souza (2016), Eu sempre sonhei com um incêndio no museu – Laura Lima & Luiz Roque (2018) e Os Monstros de Babaloo (2021). Foi também curador convidado da primeira edição do projeto Pivô Satélite (2020-21), com Diane Lima e Raphael Fonseca. Atuou como curador-chefe do Instituto Inclusartiz (2022–24) e atualmente é um dos convidados do programa ORGANISMO, organizado pelo TBA-21 – Thyssen-Bornemisza Academy, Madrid.
Raphael Fonseca
Raphael Fonseca nasceu no Rio de Janeiro, Brasil e vive em Denver, nos Estados Unidos. É chefe do departamento de arte moderna e contemporânea latino-americana no Denver Art Museum, onde trabalha desde 2021. Curador-chefe da 14ª Bienal do Mercosul, aberta em março de 2025. Parte do grupo de curadores da 3ª Counterpublic Triennial, a ser realizada em St. Louis, Estados Unidos, em 2026. Assessor da trienal Prospect 6, em New Orleans, Estados Unidos, em 2024.
Foi incluído na lista de 100 pessoas mais influentes das artes visuais globalmente pela revista ArtReview, em 2023 e 2024.
Elena Crippa
Elena Crippa é especialista em arte moderna e contemporânea, com foco na arte britânica do pós-guerra sob uma perspectiva transnacional. Ingressou no Courtauld em 2024, vinda da Whitechapel Gallery, onde foi chefe de exposições, e trabalhou por mais de uma década no Tate Britain como curadora sênior de Arte Britânica Moderna e Contemporânea. No Tate, curou exposições importantes sobre Frank Bowling, Paula Rego e a mostra coletiva All Too Human, entre outras, além de liderar projetos que integraram curadoria, pesquisa e desenvolvimento de acervo.
Especificação: Paula Rego e Adriana Varejão: Entre os vossos dentes
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