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Marraio –

Marraio: as aforções que a vida nos reserva, ser o primeiro a chegar e o último a partir é o mínimo que podemos desejar. É o mínimo que queremos da própria vida. Entre desejo e realidade, todavia, se interpõem planos de clivagem de toda espécie, criando uma tensão que atravessa longitudinalmente a poesia de Rosa Mattos neste seu livro de estréia.

O leitor verá que estréia, neste caso, muito além de linguagem inau-gural, morada de toda poesia digna do nome, significa oferenda de algo colhido após um longo período de maturação. Encontrará assim uma poética da experiência, forjada sob o impacto de um determinado real.

Que real é esse? O impacto na poesia de Rosa Mattos vem de uma concepção de contraste que move o real. Um tempo dual, pendular, ritmado por anáforas. De um lado, o tempo do desejo, da iluminação, da redenção. De outro, o tempo do de sencanto, da impotência, do desespero diante da máquina do mundo.
Eros e Tanatos terçam suas armas no tabuleiro dessa poesia.

Não por acaso, as pálpebras assumem o papel do pêndulo em vários poemas. Fechar ou abrir os olhos, como uma câmara escura, permite reconhecer e registrar sensorialmente a ambigüidade do real (Caixa de correspondência, Cavalo-marinho), instalar essa ambigüida-de na esfera do onírico (Sono), anular o risco do real (Se os olhos não vêem, Acalanto) ou colocar em xeque a própria eficácia da linguagem – espécie de miopia da expressão (Renúncia).

A poesia de Rosa Mattos, entretanto, não para aí. Nela, o drama e o deleite humanos são desdobrados em diferentes tempos e modos verbais. Ora o leitor encontra a narrativa, ora a constatação descritiva, ora a dissertação indagativa, ora a prece, ora a fábula, ora a sátira, ora uma incisiva erótica. Neste sentido, é
curiosa a quase ausência de tempos futuros, não fosse o raro emprego do futuro do pretérito em Fábula e Resgate. Posto que em alguns poemas,
como Poema de Natal ou Resgate, o modo subjuntivo faca as vezes de futuro, criando uma atmosfera intimista de prospecção hipotética ou condicional, a ausência verificada não deixa de ser um sinal de que esta poética se instala preferencialmente entre o passado e o presen te. Mais do que profetizar, sua aposta é queimar em praca pública a lenha da memória.

Diante do caráter precário e transitório da vida, o leitor escolhera, assim como faz o eu lírico, entre continuar a pagar as prestações de sua última morada – “cadáver adia do que procria” – ou desistir de morrer e ser marraio nos braços da poesia.

Ruy Proença

Sobre a autora: Rosa Mattos nasceu em Juiz de Fora, em 1949. Trabalha com encadernação e marmorização de papéis. Desde 1992, integra o grupo Cálamo, com o qual participou da antologia Desnorte. Leituras poéticas em torno à obra de João Guimarães Rosa (SP: Nankin, 1997).

Especificação: Marraio:

Autor

Formato

BOOK

Editora

ISBN

9788586372230

Ano de Publicação

2000

Número de Páginas

72.0

Dimensões

12.0 x 0.5 x 18.0

Idioma

Português

Edição

1

Encardenação

Brochura

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