Contos de Fora e da Cidade:
“Pelos seus corredores, circula gente que quer encurtar seu caminho, na verdade não a distância, mas encurtar a monotonia; dona de casa que vai à procura de especiarias, cozinheiro que busca peixe e gente que circula seu dia só no mercado…” “Ela passa o cadeado na porta de seu barraco e sai. Com a batida da porta, Jesus desperta e chora; chora em vão. Em seguida, a luz trêmula do lampião e o cachorro o distraem…” “Ele sim, falava pouco, suas palavras eram econômicas, não sei se para eu guardá-las ou se ele as tinha poucas a esse horário do dia… O hospital a essas horas estava silencioso, podia saber quando alguém iria passar no corredor. O jantar já tinha sido servido… Ela chegava e se despedia de mim como se fosse um dia de infinitos. Um dia lhe perguntei se era infeliz. Ela empalideceu e sobressaltada me perguntou se parecia. Respondi-lhe que sim…”